Germana de Viçosa do Ceará

Germana escrevendo em Braille numa reglete
Germana, 23 anos

“A Associação Morcegos em Ação é uma oportunidade que encontrei para vencer meus medos. Por exemplo, estar longe da família, andar com ausência de um corpo humano, cozinhar no fogão e tomar decisões. Com pouco tempo, as aulas aqui já me retornaram experiências importantes para minha vida como o Braille e a informática que me transportam para mundos diferentes. Um dos pontos negativo é a ausência da família e privacidade de casa pois é minha primeira experiência longe do lar. A associação aumentou a esperança de realizar meus sonhos. Daqui a 10 anos, almejo ser independente, concluir a graduação e a pós, falar pelo menos duas línguas diferentes, já ter algum contato com mercado de trabalho, já retornado de países diferentes, e ter publicado algumas páginas. Serei eternamente grata esse núcleo de assistência que me acolheu e está me capacitando para uma vida independente.”

Adriano de Taperuaba (Sobral)

Adriano andando na rua com a bengala dele
Adriano, 18 anos

“Eu estou na associação porque aqui eu tive uma chance de conseguir minha própria autonomia. Podendo terminar os meus estudos e deixar de depender de outras pessoas para fazer minhas atividades de sala de aula. Aprendi mobilidade para quando conseguir um emprego eu, não necessitar de ninguém para me acompanhar nos lugares eu for. Quando descobri o YouTube, eu percebi que existem vários conteúdos que posso utilizar. Por exemplo, por um canal que eu sou inscrito, eu encontrei um vídeo sobre como bascular uma caçamba. Se não fosse o conhecimento que eu tenho de informática e a curiosidade, eu não teria a chance de descobrir todas essas informações. Além disso, aprendi a me virar na cozinha e preparar alguma coisa para eu comer quando eu estiver com fome, e não precisar incomodar ninguém. Minha maior dificuldade é a saudade de casa e da minha família ter que enfrentar uma distância muito grande da escola. Imagino minha vida daqui a 10 anos muito diferente. Preciso ter terminado todos os meus estudos e ter conquistado uma faculdade para montar meu negócio próprio.”

Carol de São Benedito 

Carol sorrindo com a bengala dela do lado da escola
Carol, 28 anos

“Eu estou na associação porque preciso me desenvolver mais. Meu desejo é ter autonomia e ser independente. Estou aprendendo braille e informática porque é importante saber ler e escrever. Agora estou tendo a oportunidade que eu não tive quando criança. Meu maior desafio é a locomoção que ainda tenho dificuldade porque tudo isso é muito novo para mim. Quando eu conheci a associação, tiver dúvida se teria coragem de enfrentar esse desafio porque antes nunca tinha pensado na possibilidade de andar com bengala e estudar. Daqui dez anos, espero ter conquistado a minha independência e ter uma profissão que eu goste.”

Jackson de Santa Quitéria

Jackson usando o notebook dele
Jackson, 28 anos

Eu decidi estudar na associação porque aqui tive oportunidade que não tive em outras instituições. Aqui aprendi ter autonomia, mais atitude e tomar minhas decisões próprias. Acredito que a mobilidade ou seja, se locomover para os lugares, é muito importante para nós ganhamos mais confiança. Antes quando tinha algo para resolver na cidade, sempre pedia ajuda à outras pessoas e sentia que isso incomodava as pessoas porque têm seus trabalhos e tinham que tirar algumas horas para me ajudar. Agora, vou para qualquer lugar sozinho, seja fazer compras ou viajar para outras cidades, e isso sem está na companhia de alguém! Na minha opinião, além da mobilidade, a informática também é muito importante para comunicar-se, fazer estudos, e trabalhar. Eu já consigo fazer pesquisas sobre notícias recentes e me comunicar por Facebook e email. Na cozinha tenho a liberdade de fazer comida do jeito que eu gosto. Consigo preparar várias coisas: carne, feijão, arroz, linguiça ou até pizza! O maior desafio é a escola está longe da família porque é muito distante de onde eu moro. Nos próximos dez anos, quero ter concluído uma faculdade para estar mais preparado e qualificado para achar um trabalho.”

Germana Márcia de São Benedito

Germana Marcia lendo Braille no quintal da escola
Germana Márcia, 31 anos

Eu estou na associação porque posso aprender aqui tudo aquilo que não havia aprendido. Por exemplo, o Braille, informática e mobilidade. Até já aprendi o Braille. É importante porque saber ler é sensação boa. A primeira vez que consegui ler tinha 29 anos, fiquei emocionada porque achava que isso não seria possível. Meu maior desafio é andar sozinha porque antes só andava acompanhada por alguém que enxerga antes. Por exemplo, antes quando eu queria ir fazer exercício na academia, que fica na minha rua, precisava de alguém para me deixar e buscar depois, mas hoje eu vou e volto sozinha. Isso me dá uma sensação de liberdade. Imagino minha vida em dez anos trabalhando porque isso completaria minha independência.”