A ideia de escola preparatória é baseada no conceito de preparação e auto-integração desenvolvido por “Braille sem Fronteiras”, no Tibet, China. Em Lhasa, Tibet, já existe uma escola preparatória há 15 anos e saiu uma geração de cegos independentes e incluídos na sociedade. Como a realidade no Brasil é diferente, é necessário adaptar o conceito de escola preparatória ao contexto brasileiro.

A preparação intensiva tem duração de dois anos e acontece durante o ensino fundamental. A escola preparatória funciona em cooperação com uma escola regular onde, idealmente, serão matriculados todos os alunos do projeto. Isto possibilita a concentração de recursos e formação da comunidade escolar.

Imagem da nossa escola no interior de Ubajara
Nossa escola no interior de Ubajara

A preparação intensiva acontece diariamente no contra turno e, onde possível e desejado, com sistema de internato (segundas às sextas feiras), oferecendo a vivência prática da autonomia no dia a dia do aluno.

O currículo da escola preparatória inclui:

  • Leitura e escrita no sistema Braille e com o uso do computador;
  • Bases da matemática com métodos específicos;
  • Comunicação em português e inglês;
  • Orientação e mobilidade com o uso da bengala em ambientes conhecidos e estratégias para orientação em ambientes novos;
  • Atividades da vida diária adequadas à idade da criança (higiene pessoal, comer, tarefas em casa, compras, etc.);
  • Esporte e brincar;
  • Artes, música ou outros meios criativos para desenvolver a autoconfiança e expressão das crianças;
  • Atividades para desenvolver a compreensão e aceitação da deficiência visual como desafio positivo e para enfrentar atitudes negativas.

Os alunos frequentam a escola regular em um turno e a escola preparatória no contra turno. A escola regular fica responsável para a educação acadêmica com orientação e preparação de material pela escola preparatória. A possibilidade de internato abre a escola preparatória para alunos de distritos ou municípios mais distantes, especialmente de áreas rurais onde, em muitos casos, não há atendimento especializado.

Imagem da estrada com nossa nova casa adicional na direita (interior de Ubajara)
Estrada com nossa nova casa adicional na direita (interior de Ubajara)

Depois da preparação, as crianças se integram na escola regular. Como eles já têm as capacidades necessárias e as habilidades de resolver problemas, os alunos não dependem mais de atendimento especial e conseguem participar das atividades na sala de aula. A escola preparatória mantém contato com os alunos e organiza atividades regulares de apoio, por exemplo, durante as férias. O trabalho da escola preparatória se concentra na capacitação dos próprios alunos, mas desenvolve também atividades para a sensibilização de famílias e da comunidade escolar para provocar uma mudança de atitudes sobre a deficiência visual.